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Sereia Louca

Sereia Louca

17
Out20

Os políticos não podem dizer o que lhes apetece sem justificação técnica

Miss X

A informação que temos é muito incompleta – falta uma comunicação de risco apropriada. Os nossos pais governantes estão-nos sempre a dizer para nos portarmos bem. E até acho que nos portamos bastante bem, mas o discurso é este: se não se portarem bem, isto vai correr mal. Mas eles também têm responsabilidades. E a primeira é darem-nos informação detalhada. A isso chama-se comunicação de risco. E a informação que nos dão em termos de comunicação de risco é zero.

(...)

Praticamente todos os países de Saúde Pública mais avançada, grande e pequenos, fazem mapeamento de risco. E tem havido enorme resistência das nossas autoridades em fazer isso. A Ministra da Saúde [Marta Temido] já disse que não fazia por duas razões: primeiro porque o País é muito pequeno, depois porque pode levar a uma estigmatização. Mas os nossos políticos não podem dizer o que lhes apetece sem justificação técnica.

Entre os "pequenos" que fazem mapeamento de risco estão a Bélgica (11 milhões de habitantes), a Nova Zelândia (5 milhões de habitantes), o Estado de Massachusetts, nos Estados Unidos (6 milhões de habitantes), a cidade de Toronto, no Canadá (6 milhões de habitantes).

(...)

Mas é impensável, para um país europeu, um governo atuar, desde Março, sem um dispositivo estruturado, contínuo e independente de aconselhamento científico. Não podemos deixar de julgar com severidade a pretensão do Governo em apresentar à opinião pública as sessões do INFARMED como um dispositivo substitutivo de aconselhamento científico.

As sessões do INFARMED, pela qualidade dos seus intervenientes tiveram o mérito de proporcionar à comunidade política informação útil, que contribuiu positivamente para o alinhamento dos diversos atores políticos na resposta à pandemia. Mas não mais do que isso.

A ausência desse processo de aconselhamento está também associada à falta de uma Estratégia de Saúde Pública, de médio prazo, para o país, e à qualidade dos planos de curto prazo, recentemente apresentados. Cabe, portanto, ao Governo refazer um processo de aconselhamento, independente (não presidido por um membro do Governo), aprendendo alguma coisa da experiência recente.    

Excertos da entrevista ao antigo responsável pela Direcção Geral da Saúde (DGS), o médico Constantino Sakellarides

@ Sábado

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